Conteúdo Principal

sonnia-guerra

A arte eclética de Sonnia Guerra

Quando Sonnia pediu-me escrevesse para este folder, percebi que não estava em busca de elogios para sua mostra, mas da opinião de um não crítico de arte, que acompanha sua trajetória de pintora, desde os primeiros rabiscos com lápis-cera. Todos esses anos de obstinada investigação têm sido, na verdade, manifestação de um dos traços mais marcantes da sua forte e doce personalidade, a autenticidade.
Por essa razão, passou por diversos estilos, viajando à cata daquele que satisfizesse ao seu modo em cada época. No figurativismo, foi acadêmica, na sequência da graduação na UFRJ e, depois, impressionista, influenciada pela Sociedade Brasileira de Belas Artes do Rio; passou pelo pós-impressionismo; e foi surrealista hiper-realista. Apesar da boa qualidade, notava-se em Sonnia certo desconforto em ter de detalhar figuras. Não se ajustava à sua personalidade, que pedia pinceladas longas e largas, mais insinuando que propriamente mostrando, mais para serem sentidas do que vistas

Em consequência, o abstracionismo foi o desaguadouro natural da sua arte indutora de sentimentos ao sabor do expectador. Viria para atender três naturezas de liberdade, um valor que Sonnia tanto preza: a ausência de limites para a criação, o devaneio no uso das cores e o voo solto da imaginação das pessoas. Os abstratos geométricos foram a porta de entrada – e os fez lindamente. Mas de novo a personalidade exigiu-lhe criasse abstrações inconformes e livres como as nuvens, sem compromisso com rigores lineares.
Assim vem criando. Assim soltou sua arte. Assim sobrevoa.

Atualmente, começou a insinuar formas em suas telas abstratas. Ora são edificações urbanas nebulosas, ora pradarias, ora florestas. Por outro eixo de criatividade, surgem figurativos desmanchados que não deixam dúvida sobre o tema, seja o nu, sejam as flores ou as igrejas.
Sonnia Guerra estaria escapando do abstracionismo puro para um ecletismo que ela está denominando figurativismo contemporâneo?
Eu chamaria de “A Arte da Guerra”.

Alberto Cardoso, marido e admirador.