Conteúdo Principal

Olhar com o olhar de buscar. E, assim, vão surgindo janelas que se abrem a outras janelas, a novas janelas e assim sucessivamente num verdadeiro balé de cores, formas e efeitos visuais. Muitas vezes essas janelas chegam a tremular como bandeiras penduradas em varais. Retratam chuvas de vento no deserto, céu e mar no final de dunas de areia, imagens tropicais flagradas por intermédio de um retrovisor de carro.
A pintura, os quadros e a proposta estética da artista plástica Sonnia Guerra ( não necessariamente nesta ordem ) trazem o DNA da radicalidade que caracteriza os artistas que não abrem mão de suas linguagens e propostas.A cada nova exposição, Sonnia se aprofunda mais ainda no mágico balé das cores e formas.
Não há concessão em seu trabalho – nem ao mercado, nem ao modismo, nem ao colorismo fácil .
Sobre a dialética que pulsa em suas telas, escreveu recentemente Héris Victória Guimarães, professora catedrática da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde a artista se formou: “Cuidadosa na ordem,na harmonia, na construção, consegue, numa audácia lógica equilibrar a verticalidade dos quadros com as massas em cores variadas que cobrem as superfícies das telas em ritmos horizontais, (…).
Através do mundo das artes, Sonnia Guerra procura as mais intensas expressões de sensibilidade e desenvolve um trabalho extremamente próprio, puramente imaginário, onde o espectador, conforme a emoção, distingue imagens que surgem e se multiplicam em espaços, ora finitos , ora infinitos… visões subjetivas e espirituais! Um sonho fantástico.”
Sonnia Guerra vem firmando uma significativa trilha para suas telas há 20 anos. Sua estréia se deu em 1982 no Instituto de Cultura Uruguayo-Brasileño de Montevidéu, no Uruguai. De lá para cá foram inúmeras as mostras que participou. Somente no ano passado ela fez três exposições individuais: no Hotel Inter-Continental Castellana , em Madri, Espanha; na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro e na Casa da América Latina, em Bucareste, Romênia.
Ter uma exposição sua no mezanino do Teatro Nacional Cláudio Santoro é uma honra para Brasília e para as artes plásticas dessa cidade , que nasceu obra de arte no risco de Lúcio Costa e no traço de Oscar Niemeyer.
De suas janelas, novos horizontes surgirão no mágico balé das cores e Brasília ficará ainda mais colorida.

Luis Turiba